25 dessas pessoas sequestradas ainda estão desaparecidas, de acordo com relatório da Missão das Nações Unidas no Iraque.

Desde o início dos protestos no Iraque, de 1º de outubro de 2019 até 21 de março deste ano, 123 pessoas foram sequestradas e 25 delas ainda estão desaparecidas, de acordo com relatório da Missão das Nações Unidas no Iraque. No relatório, publicado neste sábado (23), a entidade detalha que os sequestrados haviam participado ou apoiado as mobilizações populares, e muitos eram ativistas políticos antes de outubro, e também haviam publicado em redes sociais críticas ao governo ou a alguns grupos políticos. Todos eles relataram terem sido sequestrados em um local público, perto dos pontos de protesto ou em seu caminho habitual para esses locais, de suas casas ou empregos, por homens armados e mascarados. Todos eles foram vendados e transportados em veículos para um ou mais locais, como casas, caravanas ou campos de detenção, onde foram mantidos por 1 a 14 dias, às vezes com outras pessoas. Segundo o relatório, eles foram "interrogados" sobre seu papel nos protestos, bem como seus vínculos com partidos políticos ou países estrangeiros, e os homens foram torturados com métodos brutais, como choques elétricos, enquanto as mulheres foram espancadas e tocadas em suas partes íntimas. Os reféns não conseguiram identificar seus sequestradores, mas a entidade da ONU aponta para o possível "envolvimento de integrantes armados com um nível substancial de organização e acesso a recursos". O relatório observa que o testemunho dos reféns e todos os dados não indicam que as forças de segurança iraquianas estão por trás dos sequestros. No entanto, os sequestros e mortes de pelo menos 490 ativistas ainda não foram punidos e isso contribui para o "clima de impunidade que envolve abusos e violações contra manifestantes" no Iraque, segundo a entidade.